Segunda-feira, 2 de Maio de 2005

MULHER vol 3

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Depois do banho, ponho Boss nos sovacos e no peito, não esquecendo também passar o roll-on pelo umbigo e pélvis. Passo a mão pelo rosto para sentir se a barba merece ser aparada e penteio o cabelo com as mãos. Estou cada vez mais loiro com a idade... detesto este meu descolorar recente, mas a minha Mãe diz que me fica bem. Escolho os boxers mais divertidos que encontro na minha gaveta de banda desenhada íntima e sempre umas meias pretas. Perco imenso tempo a escolher o raio de uma camisa mas agora estou numa fase sem riscas, todas lisas. Tiro do cabide o meu fato Zegna, e lembro-me em cada vez, que tenho de comprar um cinto azul-escuro para condizer. Fica para a próxima. Perco algum tempo a olhar-me no espelho enquanto sacudo os pêlos da gata nos colarinhos. É sempre a mesma merda quando estou com pressa... ainda me falta escovar os sapatos de camurça. Nunca sei onde pôr o calhamaço da carteira, mais a porra do telemóvel e o maço de tabaco naqueles bolsos tão pequenos. Atrás do pescoço ponho Bottled logo após lavar os dentes. Antes de desligar o pc, dou comida aos bichos e fecho os estores. Saio sempre porta fora com a sensação de que nessa noite não vou voltar, mas deixo sempre a luz do hall acesa. Monto-me no quattro-avant e apanho sempre trânsito naquele cruzamento quanto estou atrasado... foda-se! Sigo a caminho para o restaurante que escolhi, no meu carro de gajo com um fato de homem. Vou ansioso mas calmo, estou confiante e bonito. É sempre assim quando vou ter com uma mulher.

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Encosto-me a ela para que me sinta e mergulho o nariz nos seus cabelos para que acorde. Esfrego-me nas suas costas e sussurro-lhe o seu nome no ouvido. Beijo-lhe o pescoço e os braços antes de lhe morder os ombros. Procuro a boca depois de amassar o peito. Pergunta-me as horas e eu minto-lhe. Está acordada e sabe o que quero quando acordo. Dou-lhe a possibilidade de escolher como quer... afinal ainda está meio ensonada. Fazemos amor quando nos agarramos mas fodemos quando nos soltamos. Estamos satisfeitos depois de uma hora intensa, e acabamos o que na noite anterior começámos. Enquanto estou na cozinha a preparar o nosso pequeno-almoço, ela toma um duche rápido. Depois de comermos umas torradas, beijamo-nos. Ao som do Beggars Banquet, abraçamo-nos. Ela deita-se outra vez e eu ponho a água a correr. Saio para fazer umas compras e tomo café. Aproveito para fazer uns telefonemas e compro-lhe uma revista. Chego e espreito-a, acendo o lume e ligo a televisão. Ponho a mesa e acordo-a, acendo-lhe um cigarro e veste-se. Sirvo o almoço e ela desaperta-me as calças. Faz-me um broche e agradece-me. Depois de sair da mesa, senta-se no sofá e folheia a revista. Arrumo a cozinha e sento-me também. Vai buscar a escova e pede-me que lhe penteie o cabelo. Beijo-a na boca e lambo-lhe o peito, afasto as suas pernas e faço-lhe um minete. Enquanto ela vai à casa de banho, eu fecho um pouco os estores. Volta e escolhe um filme enquanto abro o frigorífico. Vemos o Rumble Fish muitas vezes, acompanhado com Martini e uvas. Foi quase sempre assim quando estava com esta mulher.

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Celebrámos um pacto e brindámos com Jim Beam. Eu quero viver assim e ela não abdica da vida que tem. Quando nos conhecemos, percebemos que se continuássemos, acabaríamos por nos perder. Na altura éramos novos, ambiciosos e egoístas. Agora estamos mais velhos, ambiciosos e egoístas. Gostamos tanto um do outro que preferimos não estragar por tanto gostar. Ela vê-me, cumprimenta-me e despede-se. Antes de me despedir, cumprimento-a quando a vejo. Um dos pontos acordados é a distância. Não nos podemos aproximar e muito menos conversar. Quando estamos próximos vacilamos e rompemos o acordo que selámos. Ela não pode ceder e eu não a quero comprometer. Eu nunca cedi quando ela se aproxima de mim. Sabemos onde estamos, o que fazemos e com quem vivemos... quando estamos com alguém. Esta é uma das razões porque nunca quebrámos o nosso acordo. Sempre que estava livre, ela estava acompanhada. Quando se libertava, eu estava sempre ocupado. Uma das nossas cláusulas prende-se com a vontade em quebrar todas as outras. Quando acharmos que devemos rasgar o contrato celebrado, comunicamos. Se acharmos que nem sequer deve existir tal contrato, esquecemos. Mas quando um de nós disser o que o outro quer ouvir, apaixonamo-nos. Pois seria fácil para nós, que nos admiramos e gostamos. Que se estivermos perto, nos beijamos e fodemos. Tem sido sempre assim com aquela mulher.

 

Um abraço...

SHAKERMAKER

 

honky tonk women por shakermaker às 00:00
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