Terça-feira, 17 de Maio de 2005

SACANA

Faz hoje precisamente quatro anos que te conheci... quase tantos em que te perdi. Perder não é o melhor termo para dizer que me livrei de ti. Livrar não é bem o termo pois nunca te esqueci. Quem me dera poder-te esquecer, ou nem sequer lembrar-me que tenho vontade de te ver... Já não bastam as minhas recordações, e tu afinal ainda existes. Não que te deseje a morte, mas isso significaria a minha vida. Enganei-te para tentares perceber mas tu não deixaste, sem sequer o saberes. Esse é o meu maior desgosto... nem te apercebeste que não consigo viver sem ti. Porém, não há forma de compreenderes pois nunca mais me viste. Tal como eu não compreendo porque não consigo viver, se nunca mais te vi. Por mais que uma vez tentei aproximar-me de ti... foram as mesmas vezes que não consegui e desisti. Não que eu não saiba onde estás, apesar de estares longe. Mas porque sei que estás perto quando penso em ti. Por mais que te escondas sem que eu te encontre, mais perto tu ficas sempre que te sinto. Estejas onde estiveres, saberei sempre com quem estás... Seja com quem for que estejas, será sempre quem tomou o meu lugar. És um sacana.

Não era tão bonita como sou agora, nem tu eras o homem que me contam que és. Naquela altura também ouvi falar de ti, mas só te conheci quando por fim te vi. E quando olhei nem acreditei, pois tu eras tal e qual como eu te imaginei. Eras o homem que eu queria para mim, daqueles que conhecemos e nunca mais esquecemos. Foi assim que te conheci e jamais me esqueci de ti. Eras tímido e divertido, eras envergonhado e extrovertido. Assim como uma contradição, que discordamos mas nunca dizemos que não... Também me contradizia, concordava com tudo o que dizias. Cedo fizeste-me saber que seria eu a ter de ceder. Sem nunca me obrigares a nada, fazia tudo o que não gostava. Fodia como tu querias mas não gostava como me fodias. Tornava a foder outra vez mas não gostava mais uma vez. Apercebi-me que tu sabias mas nunca te confrontei com porque o fazias. Sempre que te dizia não, voltava atrás com um sim e pedia-te perdão. Mesmo não seguindo os teus passos, acabava sempre por seguir as tuas pegadas. Nunca esperei por ti mas só me passava a ansiedade quando tu chegavas. Eras um sacana.

Sempre detestei quando estávamos acompanhados. Nunca gostei da forma que te olhavam, ou da maneira quem nem me viam. Como se eu não existisse nem mesmo que me exibisse. Porque a atenção era tua e em mim ninguém reparava… eu era apenas a mulher que por acaso te acompanhava. E todos gostavam de ti, e todos te sorriam. Queriam estar contigo sempre que estavas comigo. E olhavam para mim só porque estavas ali, tal e qual eu fosse um pedaço de ti. Nem imaginas como odiava aquelas mulheres, nem tão pouco sabias o ódio que tinham por mim. Queriam ter quem eu tinha e foder quem eu fodia. Por mais que tentasse, nunca as consegui afastar... eram putas a mais para eu enfrentar. Então desisti e deixei-as aproximarem-se. Tu fizeste o mesmo e deixaste que se aproximassem. No entanto nada consentiste e nem com uma dormiste. E mais uma vez fiquei sem nada para te apontar, sem nenhuma razão para te abandonar. Não aguentei o facto de seres mesmo assim, nem tão pouco queria acreditar que pudesses gostar de mim. Logo eu... uma sacana como tu.

E foi desta forma que me apercebi, que só havia uma maneira de me ver livre de ti. Escolhi o momento certo e o homem correcto… e foi assim que te surpreendi ao saberes que te traí. Reagiste como costumas sempre reagir... calmo, sereno e seguro. Despediste-te como sempre te despedes... carinhoso, sorridente e educado. E tu sabias bem o que estavas a fazer, pois de imediato percebi que te estava a perder. Nem imaginas o que senti naquele momento... nem tão pouco soubeste o mal que me fizeste. A tua indiferença foi pior que a minha traição, a tua frieza gelou-me o coração. Partiste sem sequer hesitar, como quem tem a certeza que não vai mais voltar. Nos dias que se seguiram esqueci-me de ti... talvez por não me lembrar o quanto sofri. Porém recordo o que os outros disseram e desde então sou a puta que todos apontam. As tuas amigas fazem pouco de mim e dizem que sou uma merda por ter feito o que fiz. Agora os teus amigos fazem-me propostas concretas pois pensam que ando de pernas abertas. Tudo o que eu era deixei de o ser, quando tudo o que queria… era ser sacana como tu.

 

Um abraço...

SHAKERMAKER

 

Dedicado a mim, claro está.

honky tonk women por shakermaker às 00:00
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