Domingo, 22 de Maio de 2005

DETERMINADAS COISAS vol 4

 

Nunca gostei de ligar para tua casa...

Quase sempre sou atendido por aquela tua amiga que faz perguntas a mais daquilo que não lhe diz respeito. Ainda meio ensonada disseste que estarias lá por volta das quatro, mas também tu me fizeste muitas perguntas sobre aquilo que não te queria dizer. Com tanta insistência acabaste por ouvir o que não gostas, pois eu também não gosto que durmas até ao meio-dia durante a semana.

Não estava à espera que fosses pontual... 

Mas também não estava a contar que chegasses bem perto das cinco.Contudo não tiveste dificuldade em encontrar a loja que te indiquei na Rua dos Sapateiros. Pelo sorriso que esboçavas quando chegaste ao meu encontro, percebi que gostaste da surpresa que te fiz.

Mas não apreciaste assim tanto o beijo prolongado que te dei...

Ficaste demasiado preocupada com o que as velhas sentadas na esplanada da Pastelaria Suiça pensavam, enquanto nos estávamos a beijar. Nunca te importunei acerca do que pedias que te servissem, mas tu nunca te escusaste em fazer-mo. Pedi o meu Favaios e tu bebeste o teu sumo natural. Comi um São Marcos e tu pediste uma torrada. Mais uma vez disseste que o creme fazia mal e eu perguntei-te se o fazia tanto como a manteiga...

Encolheste os ombros e eu franzi as sobrancelhas.

Disse-te que estavas muito bonita e tu baixaste a cabeça... mas sorriste. Pus a minha mão direita na tua coxa esquerda e disseste-me para estar sossegado. Mais uma vez estavas preocupada com o raio das velhas... Subi mais um pouco os dedos por debaixo da tua saia mas tu retiraste-os com a tua mão esquerda. Decidi que iríamos a pé até ao miradouro e tu pediste-me para ir buscar o carro.

Eu não cedi e tu acompanhaste-me aborrecida.

Ao passarmos pela Praça da Figueira, paraste para ver uma montra. Eu também, mas não te acompanhei quando entraste. Ao deparar-me com um velho que vendia balões, decidi comprar um vermelho. Quando saíste da loja tentei prende-lo no teu dedo mas fizeste mais uma fita e atei no meu. Enquanto subíamos pela Sé não paravas de me praguejar. Chamaste-me infantil e eu disse-te que quem diz é quem é... Ficaste ainda mais esbaforida. Sentamo-nos no muro e abraçaste-me por trás.

Disseste que fodias comigo se soltasse o balão.

Com o sol a bater-nos no rosto observámos o balão a desaparecer pelos telhados de Alfama. Pediste-me para voltarmos para buscar o carro e irmos para tua casa. E eu disse-te que só o fazia se abrisses a tua surpresa. Enquanto desembrulhavas sorrias para mim. Levaste um bombom à boca e pediste-me um beijo. Descemos até ao Rossio de mão dada. Afinal sempre gostas de andar a pé...

Pensava eu enquanto caminhavas sorridente.

 

Desta vez moeste-me o juízo por causa do estacionamento, mas estou farto de te dizer que nunca vi ninguém sair daquela garagem. Apesar de limpar os sapatos no tapete, insistes que me descalce à entrada. Não insisti também, afinal a casa é tua. Ao agarrar-te por trás e beijar-te o pescoço...

Seguraste-me nos braços e voltaste-te para mim.

Encostei a cabeça no teu decote e desabotoaste-me a camisa. Depois afastaste-te e pela mão levaste-me até ao quarto. Pedi-te para não acenderes tantas velas e tu, como sempre, não fizeste caso. Nunca entendi porque não me deixas despir-te, por isso também me despi sozinho. Ficaste danada e sentaste-te aos pés da cama.

Perante ti, ajoelhei-me e beijei-te.

Deixaste-te cair em cima da colcha e finalmente cedeste... Despi-te. Enquanto passavas os dedos nos meus cabelos fiz-te um minete, e assim que te vieste... Afastei-me. Gosto de ver o teu esgar sempre que te vens. Em posições inversas pedi-te para parares de me chupares...

Prefiro que te montes em mim.

Como não gostas que te acaricie o peito, também não te agarrei nas nádegas como querias. Chamaste-me idiota e eu chamei-te estúpida. Com os teus cabelos no meu rosto escutei o som do teu prazer. E foi nessa posição que esperaste pelo meu orgasmo. Após te lavares e fumares um cigarro, debrucei-me sobre o teu corpo.

Pediste-me para parar porque precisavas descansar.

Liguei a televisão e abraçaste-te a mim enquanto enrolava os dedos nos teus cabelos. Adormeceste ao som das minhas gargalhadas vendo o Seinfeld. Mais tarde acordaste e enroscaste-te novamente em mim. Puseste a cabeça por debaixo dos lençóis e abocanhaste-me. Arrepiei-me mas não me comprometi com o que querias...

Fiquei à espera para ver o que me fazias.

Estranhaste o meu silêncio e questionaste o meu sossego. Respondi-te da mesma moeda dizendo que também estava cansado. Saíste de cima de mim e voltaste para a tua almofada. Durante alguns minutos só se ouviu o som da televisão... até não te conteres mais e chamares-me imbecil. Não me fiquei e chamei-te parva.

Disseste que parvo era eu e que estavas farta de mim.

Então aproximei-me de ti e pedi-te desculpa, mas continuaste de costas voltada enquanto te beijava os ombros. Perguntei-te o que te apetecia e pediste-me para te comer por trás. Eu disse que só o faria se me respondesses a uma pergunta.

Desconfiada aguardaste a questão.

E então perguntei-te se a tua amiga que me atendeu o telefone de manhã era boa na cama... Disseste que sim e cumpri o que prometi. Quando te conto as figuras que tu fazes, contrapões com as minhas manias. Nem sempre estamos de acordo mas sempre nos entendemos...

Afinal, sempre fomos bons amigos.

 

Um abraço...

SHAKERMAKER

honky tonk women por shakermaker às 00:00
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