Terça-feira, 15 de Novembro de 2005

VAGINISMO

Não acredito que acreditei em ti. Será que sou tão estúpida ao ponto de pensar que tu irias alguma vez entender as minhas necessidades? O que mais me irrita nisto tudo, é que chegou-me a passar pela cabeça que tu compreendeste o que te estava a dizer... Mas a culpa é minha. Ninguém me obrigou a confiar na tua compreensão e eu devia ter dois palmos de testa para perceber isso. És tacanho demais para entender seja o que for para além daquilo que te ensinaram e que afinal é tão básico que só mesmo tu poderias aprender. Só de pensar que estive mais de uma hora a explicar-te o que sentia, a falar da nossa relação e no que poderíamos alcançar se tu deixasses de ser tão quadrado, até me mordo toda quando penso no tempo perdido que tive contigo. Não passas de um burgesso que é bem capaz de achar que o clítoris é transparente só porque demora uma eternidade a dar com ele. Não perdes pela demora meu sacana... Vais andar a trepar paredes pois tão depressa não te abro as pernas. Estou-te cá com uma raiva que nem imaginas, só me apetece ir-te às trombas minha besta-quadrada. Acho que já enchi tudo o que tinha a encher e para ser franca, a minha tolerância para contigo esgotou-se. E não estou a falar apenas do que agora se passou, para mim já não há volta a dar. Ou mudas de uma vez por todas ou mudas-te definitivamente para fora daqui. Vai para o raio que te parta porque eu já não suporto olhar para ti. É lamentável chegarmos a este ponto mas eu tudo fiz para que a nossa relação tivesse pernas para andar. Tenho a minha consciência descansada pois só eu sei o que passei para tentar mudar essa cabeça oca e para que fosses ao encontro das minhas necessidades. Agora chega, não aguento mais lutar por algo que não vale a pena pois estou esgotada e sem forças para mudar seja o que for. Eu previ que isto ia acontecer e o que mais me custa, é que estou desiludida contigo mesmo sabendo que tu irias reagir dessa maneira. Mas porque raio fui eu criar a ilusão que tu aceitarias meter-te na cama comigo e com a minha irmã? Como pude ser tão parva ao pensar que tu talvez quisesses experimentar algo que beneficiaria em absoluto a nossa relação? Mas não. Nem vou martirizar-me mais por isso, chega de bater com a cabeça nas paredes, tu para mim já eras. Até me dei ao trabalho de convencer a tua cunhada, só para que não estranhasses tanto…

 

Não estava à espera que fosses assim. Numa primeira análise pode-se dizer que o nosso encontro superou as minhas melhores expectativas. Foi pontual e recebeu-me como se eu fosse uma princesa, qual cortesão bajulador. Trouxe-me um ramo de flores, que eu apreciei o gesto embora não goste propriamente de rosas. Não tomou como desfeita e prontamente tendeu as suas pétalas para que espezinhasse o meu andar altivo. Sempre sob o pedestal onde subi e ele me elevou, encetámos um breve e sereno passeio pelas arcadas rumo ás galerias. Num café, que ambos conhecíamos mas onde não éramos frequentes, ficámos sentados numa conversa amena. Achei piada a sua forma de se expressar e o ar disfarçado mas compenetrado com que contemplava um copo, sabendo eu que o seu olhar perscrutava as minhas mamas. Deixei-o manter-se entretido e ciente que não o tinha topado, só para ver até onde ia a sua percepção quando confrontada com a minha. Sorriu, e fez bem, pois foi recíproco. Não é um peixe fora de água mas teve uma certa dificuldade em respirar quando se deu conta que estava a morder o meu anzol. Dei-lhe um pouco de espaço, o suficiente para não se afastar mas bem próximo de perceber com quem estava a lidar. Sou uma mulher determinada e com experiência quanto baste para saber que um homem que me agrada nuns meros minutos pode fazer-me perder algumas horas. Não me considero intuitiva como é apanágio nas minhas semelhantes mas mesmo assim resolvi arriscar… Queria ver como ele se comportava num ambiente hostil depois de saber como reagiu ao meu olhar adverso. Mesmo longe de ser um teste final, encarei como decisivo para algo mais. Devolvi-lhe o obséquio, convidando-o para jantar em minha casa. Aceitou, não sem antes retorquir que fazia questão em ajudar-me. Ficou a saber em antemão que eu era uma cozinheira de mão cheia e que ajudas não eram precisas. Foi expedito a compor a mesa e como seria de prever, fez questão em acender as velas. Confesso que me surpreendeu mais uma vez com as pétalas meticulosamente deixadas sob os guardanapos. Ao servir o jantar, reparei no seu ar apreensivo fixando o prato. Durante a refeição, era óbvia a sua insatisfação enquanto mastigava. Foi sensato e acatou a minha vontade ao sair porta fora. Não suporto homens insensíveis e que não gostem do meu arroz de pato…

Não tenho outra alternativa senão falar contigo. Acho que cheguei a um ponto de saturação e este é o momento crucial para conversarmos sobre a nossa relação. Esta iniciativa bem poderia ser tua caso não fosses tão egoísta e negligenciasses os meus sentimentos. Será que te lembras quando nos conhecemos, em que disseste que nunca me farias sofrer e que estarias sempre atento ás minhas necessidades? Olha que não foi assim há tanto tempo… Afinal, o que mudou em ti para que deixasses de pensar em mim? Há coisas mais importantes do que me dares um diamante cravado num anel de ouro, do que ter um aparador com um serviço de porcelana ou um descapotável estacionado junto ao jardim que fizeste para mim na nossa moradia junto ao mar. Quero que prestes atenção ao que te digo, ao que te peço para fazeres para que eu me sinta melhor… Para que me sinta mulher. Não podes ser sempre tu a decidir como vai ser, quando tem de ser, sem sequer te preocupares se concordo ou se quero. Faz tempo que intercedo para não seres tão bruto comigo. Já perdi a conta ao número de vezes que te implorei para parares porque me estavas a magoar. Será que te dá prazer ver-me sofrer? Chego a pensar que és sádico e que gostas de me magoar. O pior é que não conheces os teus limites e abusas dos meus. Quero lembrar-te que sou tua mulher e não uma vadia qualquer. Sou tua esposa e não uma prostituta de esquina. Se é esse tipo de tratamento que me queres dar, então talvez seja melhor procurares outra mulher, que te obedeça incondicionalmente e seja submissa aos teus padrões maritais. Pois para mim são intoleráveis e com os quais não quero continuar a ser conivente. E tudo isto seria tão simples se me desses ouvidos ou tivesses a iniciativa de abdicar da tua vontade para satisfazer um pouco a minha. Já paraste para pensar e chegar à conclusão que com apenas um gesto podias resolver o nosso problema? Afinal bastaria ires a um supermercado, ou talvez a uma farmácia ou também poderias encomendar através da Internet. Dizem que há vários tipos, desde pomadas a géis com odores afrodisíacos ou cheiros de frutas. Há uns que são refrescantes e outros que tranquilizam após a aplicação. Caso não saibas, quase todos permitem uma dilatação prolongada. De uma vez por todas, não quero mais fazer sexo anal sem lubrificante, porque me magoas…

Um abraço...

SHAKERMAKER

 

Não confundir com a designação Vaginismo, doença do foro sexual feminino que embora seja pouco reconhecida pelas próprias mulheres, tem cura mediante tratamento adequado.

honky tonk women por shakermaker às 00:00
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