Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2005

QUINZE DIAS

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Domingo, nove

Encostas os lábios mais uma vez para que o batom pegue e ensaias os beijos que tens para me dar. Realças os olhos porque te lembras que também tos realcei na última vez que um olhar cruzámos. Esfregas as maçãs do rosto insistentemente só porque te disse que não gosto de maquilhagem. Arrependes-te da base que escolheste mas tens a certeza que vou gostar do sombreado e da forma como apanhaste o cabelo. Estás menstruada e sabes que vou reparar assim que vir essa empola no teu queixo…

Desanimas e fazes mais uma careta no espelho enquanto sobes o peito. E tu sabes que aí não me escuso, por isso voltas a apertar. Untas o decote para me despertar a atenção pois tu sabes como olho e desejo, e como misturo visão com tesão. Aproximas-te do espelho para evitar o reflexo, só para confirmar se os ombros se vão evidenciar. Viras-te de costas confiante no semblante pois sabes que não há sombra que esmoreça o teu esplendor.

Voltas o pescoço altivo de forma sobranceira e empinas o rabo lembrando uma sereia. Mostras as gengivas e juntas os dentes enquanto sorris para ti como se fosse para mim. Viras o frasco na ponta dos dedos e espalhas o aroma que vou sentir. Indecisa, levantas o cordão e hesitante, tocas os brincos, mas acabas por reconhecer que fizeste a escolha acertada. Tu bem sabes como a minha opinião conta para que tenhas a certeza que estás pronta. 

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Sexta-feira, catorze

Apanhas a roupa do chão com elegância, sem dobrar os joelhos e sempre descalça em pontas dos pés. Quando te agachas, recolhes a franja que se pende no teu rosto e encobre os teus olhos castanhos profundos. Abres as portas do roupeiro como uma anfitriã que fende a entrada e estendes a mão aos cabides como um cumprimento às visitas. Conheces todos pelas cores e reconheces os tons consoante o convite e o convidado. Arremessas os tecidos sobre a colcha quando te ajoelhas na cama e colocas uma peça diante do peito enquanto torces o nariz.

O rosa é muito escuro e o vermelho tem borbotos, a saia é demasiado comprida e tu queres mostrar as pernas. Mas as meias têm malhas e são as únicas que assentam, talvez sejam aquelas calças que melhor se ajustam dentro das botas. Abres a gaveta e pegas na tanga que guardaste para mim mas continuas indecisa por causa do string pois ainda não decidiste se vais mesmo de jeans.

Pensas um pouco no que te digo e tentas lembrar-te se prefiro calças a um vestido. Se te disse que ficas bem de preto ou se a ganga combina contigo. Tens uma vaga ideia que gosto de fatos pois lembras-te quando te disse como gostava da maneira como os vincos tomam forma nas tuas coxas. Mas não é confortável para quem quer acabar a noite a dançar ou para quem espera ser despida a qualquer momento sem ter que esperar o tempo que umas calças levam a libertar. 

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Quinta-feira, vinte

Chegas junto a mim linda de morrer mas só sucumbe a teus pés quem é fraco o suficiente para contigo se perder. Perante mim és frágil e insegura, completamente esquecida da altivez que ensaiaste diante do espelho. Quase perdes o equilíbrio ao caminhar ao meu encontro e sinto as tuas pernas tremer em cada passo que me coloca mais perto. Estás tensa nos gestos e receio mesmo que desfaleças quando os teus ombros abatem sob a palma das minhas mãos ao despir-te o casaco.

Não me consegues enfrentar no olhar e baixas o rosto tapando o sorriso com os dedos. Encostas o queixo num punho apoiando os cotovelos na mesa onde por debaixo bates com os pés num constante nervoso. A cada palavra que te dirijo, recebo um aceno com a cabeça e por cada pergunta que te mereça resposta, envias-me um esgarço de sobrancelha. Os lábios colam-se-te ao centro da boca já seca nos cantos e as palavras que quero ouvir não saem ao encontro dos meus pensamentos.

Aproximo-me para ficar mais perto do que quero mas não reages de imediato como espero. Insisto num toque suave no teu rosto mas não me devolves o carinho proposto. Pergunto o que se passa contigo pois nestas duas semanas em que nos conhecemos nunca me foste tão indiferente. Replicas-me com preciosismo que duas semanas não são muito tempo mas que quinze dias são o suficiente para que, em apenas um dia a mais, tudo tenha que terminar assim.

 

Um abraço...

SHAKERMAKER

 

Agradeço a todos quantos me visitam e acima de tudo, a quem me endereçou os parabéns no blog ou por email aquando do meu aniversário. Benditas sois vós entre as mulheres e bem hajam também os homens pela lembrança. O meu muito obrigado.

honky tonk women por shakermaker às 00:00
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