Quinta-feira, 5 de Outubro de 2006

VORSPRUNG DURCH TECHNIK

 

O meu satélite está lá em cima.

Tem aquela luz alva que o circunda para que saibas sempre onde estou, embora nem te apercebas que no fundo te estou a ver. Eu sei que gostas de ver tudo o que faço no ecrã do teu monitor... Ou quando ligas a televisão a fim de me observares e eu sinto por momentos que estou a ser seguido. Há um pouco daquele mistério que tentas empreender em tudo o que fazes mas que só eu reparo que o fizeste. Afinal, para que serve todo esse teu ímpeto senão tiver um propósito? Não tens que responder... Porque, no fim de contas, somente te importa tudo aquilo que eu acho sobre tudo o que tu pensas. Senão, vejamos… A luz verde indica-me que posso avançar, a luz vermelha para travar, a luz azul para aguardar e a luz amarela… Bem, a luz amarela ainda não sei bem o que quer dizer, mas estou lá perto. Talvez seja um daqueles sinais que tu me fazes quando a minha conversa não te agrada. Se bem que vais acenando com todas as cores, como um caleidoscópio, até me cegares. Quase, porque apesar desse foco que evito e me esforço para não encarar, há um ângulo morto que aproveito quando te espreito. Então, estabelecemos contacto. Visual, para ser mais exacto, pois o nosso encontro só é imediato quando porventura se torna mútuo. Doutra forma é apenas uma ocasião e, não tarda muito, acabas mesmo por esquecer. Logo, faço questão que me vejas e percebas que também te estou a ver. Confuso? Sim, um pouco, mas é a minha maneira de te dar a entender que quero sem contudo ser explícito naquilo que sinto. Continua a sintonizar as frequências possíveis, procurando pelo meu sinal vital.

Tão longínquo e ainda assim tão próximo. Tira proveito do cabo, usa e abusa da rede, e do outro lado alguém ficará encantado com a tua imagem.

À distância dum botão, vorsprung durch technik.

O meu satélite continua lá no alto.

E como todos os corpos que pairam na tua vida, sou tal e qual um planeta secundário que gira em torno dum mesmo planeta que responde pelo teu nome. Posso dizer que o meu movimento de translação te origina enxaquecas e que todos os pensamentos que me dedicas acabam por te tirar o sono. Não faço por mal, mas também não evito e, mal tenha oportunidade, até repito. Sinto-me bem como teu objecto de estudo, ou mero instrumento científico, recolhendo as informações que procuras para entenderes melhor as coisas que sentes. Sou como um filtro de sabedoria que te alegra com o melhor sorriso de cada dia. Daquele tipo de material celeste que se excita quando, em volta do teu corpo, se cinge e orbita. Um pouco como atraído pelo teu núcleo, uma e outra vez. Além disso, sempre podemos comunicar… Para isso terás que aprender mais da minha linguagem que, embora sendo universal, não se limita ao gestual. Tu tens as cores e eu tenho os tons, mas ainda não combinam. Para cada cor que mostras, tenho uma tonalidade diferente, e aquela luz amarela… Creio que já sei do que se trata. Porém, penso que não deves fazer caso, pois isso só dará azo a que me vejas afastar. Pensa na distância que fica se acabares por não tentar num jeito de me alcançar. Experimenta um pouco mais as letras, combina umas quantas palavras e envia-mas quando tiveres a certeza que estás a escrever o que me queres dizer. Deixa de parte o que te diz o coração pois de nada te serve se ainda não tiveres uma boa razão. Prossegue batendo nas teclas, incessante e contínua, evitando o fim desta breve emissão.

 

Tão distante e ao mesmo tempo tão perto. Com a ajuda da estática e o complemento da rádio, podes fazer escutar a tua voz em qualquer lugar.

Basta um telefonema, vorsprung durch technik.

Um abraço...

SHAKERMAKER

 

 

honky tonk women por shakermaker às 00:00
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